O Bairro da Musgueira Sul foi considerado e catalogado desde o início como um bairro para os pobres de Lisboa, e desta forma foi um o Bairro ostracizado em relação a outras zonas do Lumiar. Por exemplo em relação à zona do Paço do Lumiar ou outras zonas do Lumiar Centro.
Fotos do arquivo Municipal de Lisboa
Sempre houve a necessidade dos residentes do bairro estarem ligados a restante freguesia, pelo emprego, era na freguesia que muitas mulheres e homens prestavam serviços, era no Lumiar Centro que podíamos encontra os serviços públicos, no que diz respeito ao comércio existia mais oferta e os espaços lúdicos .
A área total da freguesia do Lumiar é de 6.282 km2.
Estimo que a população da Musgueira Sul, em 1970, era cerca de 16% da população do Lumiar, se tivermos em conta o número de habitantes do Lumiar (19155 habitantes e os do Bairro eram cerca de 3000 moradores em 931 fogos) atualmente a freguesia tem, cerca de 45.000 habitantes e 30.600 eleitores.
O Lumiar é aproximadamente a 4ª maior freguesia da cidade de Lisboa, quer em área, quer em número de população.
A freguesia do Lumiar foi criada em 2 de Abril de 1266 (cf. D. Rodrigo da Cunha, Historiador, Ecl. Cidade de Lisboa, 1642, pág. 175), dado o seu crescimento em importância e população.
Em 1312, D. Dinis efectuou a partilha dos bens do Conde de Barcelos, ficando para D. Afonso Sanches, seu filho bastardo e genro do Conde, uma quinta e casa de Campo no Lumiar, a que se passou a chamar Paços do Infante D. Afonso Sanches.
No reinado de D. Afonso IV, esta residência nobre tomou a designação de Paço do Lumiar, que ainda hoje se mantém e constitui um importante núcleo histórico da freguesia.
O Lumiar era uma aldeia dominado por nobres quintas, olivais e vinhas, sendo os principais frutos da terra o vinho, trigo, cevada e azeite, desenvolvido em torno de uma propriedade régia rural que evoluiu a partir do século XVI.
De 1852 a 1886, esta freguesia esteve integrada no concelho dos Olivais, sendo finalmente incorporada no território da Cidade de Lisboa, em 18 de Julho de 1885.
“Lenda do Lumiar”
D. Dinis deslocava-se frequentemente a Odivelas, pela calada da noite, para visitar Damas que tinha como amantes. A Rainha Santa Isabel, sempre atenta, embora silenciosa, pensou numa forma subtil de mostrar a seu Real Esposo que dava conta das suas ausências e sabia qual a razão das suas escapadas nocturnas. Pediu então a colaboração de algumas Damas da Corte para a acompanharem até aos campos mais a norte dizendo: “vamos alumiar”. Mandou preparar archotes e foi colocar-se no ponto onde o Rei iria de passar. Então, à sua passagem dirigiu-se lhe nestes termos:
– “Ide vê-las. Nós alumiamos o Vosso caminho”.
Diz-se, portanto, que o Lumiar e Odivelas devem a sua toponímia a esta Lenda. Vista à luz da época, trata-se de uma prova de grande carácter e coragem daquela que terá sido porventura a maior das nossas Rainhas.
E de Archote na mão, a Rainha comentou:
“Ide vê-las, Meu Senhor, ide vê-las”.
Luz no caminho, de fogo ardente e paixão quente.
“Alumiar, alumiar”. Assim nasceu o meu / nosso Lumiar.
João B. Antunes
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Pingback: O bairro da Musgueira Sul e a Freguesia do Lumiar | Bº da Cruz Vermelha LUMIAR
este ultimo verso foi tema da marcha do lumiar em 2009
Sim é verdade. A Marcha do Lumiar 2009 retratou a história que é conhecida por “Lenda do Lumiar”.