Musgueira Sul e o 1º bebé proveta em Portugal

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Carlos Miguel Saleiro nasceu na Musgueira Sul, filho de Carlos Manuel Valente Saleiro e Alda Maria.

Introdução

Quero antes de mais  salientar a atitude nobre que os pais sempre tiveram, em proteger a imagem do seu filho, recusando desde de sempre de o expor as objetivas das camaras de televisão e dos fotojornalistas, em suma ao circo mediático.

Tomo a iniciativa de escrever este artigo, devido à morte do britânico Robert Edwards na passada quarta-feira em Londres aos 87 anos, pioneiro da fecundação in vitro e Prêmio Nobel de Medicina em 2010, laureado na minha opinião tardiamente por ter ajudado milhões de mulheres a engravidar, o cientista não foi recebê-lo em Estocolmo por motivos de saúde.

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Foi ele que conseguiu o nascimento do primeiro “bebê de proveta”, Louise Brown, em 25 de julho de 1978, um acontecimento histórico que foi a manchete dos jornais de todo o mundo.

Mais de quatro milhões de pessoas nasceram desde então graças à fecundação in vitro.

Quatro dias antes de Carlos Miguel Saleiro ter nascido, o padre jesuíta Luís Archer – o introdutor da genética em Portugal e que era professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e investigador do laboratório de genética molecular do Instituto Gulbenkian de Ciência – falava de bebés-proveta, num artigo de opinião n'”O Jornal”: “A FIV, praticada dentro do casal sem destruição de embriões excedentários, parece poder incluir-se na comunhão interpessoal em liberdade e amor.

Nesse caso, a tecnologia é um prolongamento da vida sexual do casal. E haverá nova razão para louvar a Deus que criou a inteligência do homem, e que, através da ciência, o fez participante da sua acção criadora.” O milagre vencia as paredes de vidro?

Primeiro Bebé em Portugal Nasceu em 1986

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Carlos Saleiro, atualmente  jogador do Sporting, foi o primeiro bebé-proveta que nasceu em Portugal. O facto de ter sido concebido através de uma técnica de Procriação Medicamente Assistida (Fertilização In Vitro – FIV) deu-lhe honras de primeiras páginas da imprensa portuguesa.

A 1 de Março de 1986 o semanário “Expresso” trazia, no caderno principal e nas páginas dedicadas à actualidade nacional, um artigo de meia página sobre o nascimento do primeiro bebé-proveta português – Carlos Miguel Saleiro.

O bebé nascera bem, com 3.300 quilos e 50 centímetros, de cesariana, a 25 de Fevereiro de 1986. O feito da equipa foi do médico António Pereira Coelho, da Unidade de Fertilização “In Vitro” do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e do laboratório de biologia molecular do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, onde foi feita a parte laboratorial.

. A 26 de Fevereiro, o dia acordava com o bebé Carlos Miguel em todas as primeiras páginas dos jornais. Do “Diário de Notícias” ao “Diário de Lisboa” e ao então vespertino “A Capital”. O “Diário Popular” chamava-lhe “o bebé de oiro”.

Numa reportagem de oito páginas, assinada por três fotojornalistas e seis jornalistas, entre os quais Ferreira Fernandes e Baptista-Bastos, aquele matutino dava todos os pormenores da chegada a Portugal do admirável mundo novo, como descreviam o acontecimento.

Numa ilustração, o “Diário Popular” descrevia ainda “as mil e uma maneiras de fazer bebés”, desde a fertilização “in vitro” (FIV) ate às mães de aluguer, passando até pelo adultério, como uma das maneiras de vencer a infertilidade.

Falaram com a avó Gertrudes, com a melhor amiga da mãe, Maria de Lurdes, e descreviam como o pai, Carlos Manuel Valente Saleiro, de 30 anos, cortador, e a mãe Alda Maria, de 28 anos, doméstica, voltariam dentro de poucos dias a casa, no bairro da Musgueira Sul, em Lisboa, com um milagre nos braços. Tinham esperado dez anos por ele.

O tratamento, que custou cem mil escudos, tinha sido todo pago pelo Estado.

Já tinham nascido no mundo 220 bebés-proveta, desde o nascimento de Louise Brown, em 1978.

Mas Carlos Saleiro era o primeiro bebé-proveta português, o que fazia de Pereira Coelho o “Doutor-Proveta”, e que lhe dava direito a fotografia com a família, de página inteira, na revista d'”O Jornal”. Ninguém tinha coragem de negar a emoção deste passo para a ciência portuguesa.

Em declarações à TSF em 2006

Carlos Saleiro explicou que os pais o foram elucidando a pouco e pouco sobre a forma como nasceu, «no sentido de tranquilizar e proteger».

«Foi o que aconteceu até aos 18 anos. Várias jornalistas ligavam para eu dar entrevistas e os meus pais diziam sempre que não para me protegerem. Até aos 18 fui menor, mas a partir dos 18 sou eu que decido e por isso é que estou aqui a dar esta entrevista porque acho que é uma coisa normalíssima», acrescentou.

Mas o que é o método de fertilização «in vitro»?

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O método consiste em retirar o óvulo do ovário da mulher, antes da libertação para as trompas e fecundá-lo com o esperma doado pelo homem numa proveta. Após a fecundação, o embrião é implantado no útero da mãe. A gestação decorre normalmente durante nove meses.

João B Antunes

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