Musgueira Sul _ Rostos da minha Terra

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foto de Paulo Ribeiro  ( Rua L)

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Musgueira Sul _ Rostos da minha Terra

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foto de Cristina Aniceto

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Musgueira Sul _ Rostos da minha Terra

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Foto de Natercia Silva

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Musgueira Sul _ Rotos da minha Terra

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foto de Carmen Oliveira

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Musgueira Sul _ Rostos da minha Terra

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foto de Soraia     Tema : Carnaval

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Musgueira Sul _Rostos da minha Terra

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foto de Carmen Oliveira

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Musgueira Sul – rostos da minha Terra

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foto Avelino Costa

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Musgueira Sul – testemunho da Irmã Pilar

Realizei um convite a irmã Pilar Moreira, para dar o seu testemunho da sua experiencia dos seus 18 anos de profunda convivência com a população da Musgueira Sul.

Todos aqueles que moraram no Bairro da Musgueira Sul, sabem da importância do trabalho desenvolvido pelas  Irmãs Doroteias  junto da comunidade.

Que atividades desenvolveram e de que modo contribuíram para o desenvolvimento do Bairro?

De que modo a Religião contribui para a união dos moradores?

Como é que a população se envolvia nas atividades religiosas ?

Que peso tinha a religião nas famílias do Bairro?

Que legado deixaram?

Irmã Pilar

Irmã Pilar

” Falar da experiência de Fé partilhada no Bairro da Musgueira Sul implica referir todas as dimensões da vida da População. Sempre se tratou de avivar uma Fé incarnada, envolvendo a vida toda porque só assim penso que pode ser entendida a Fé Cristã, a que diziam e provavam professar, na grande maioria, os habitantes do Bairro.

Num primeiro inquérito, lançado no início de 1973 pela Equipa Técnica da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa chefiada, então, pela Dra. Manuela Carvalho, os três pedidos feitos com maior insistência pela População eram: uma Igreja, uma escola e uma Esquadra da Polícia. Note-se que então, ainda não havia água canalizada nas casa, a luz elétrica era fraca e os transportes públicos, pouco frequentes.

Após a chegada de uma Comunidade de Irmãs Doroteias ao Bairro, em Fevereiro de 1973, a pedido das Famílias, a Catequese começou a sistematizar-se, a intervenção social ia passando por várias etapas. A realidade tornava-se mais perceptível, mais próxima e mais clara a certeza de que intervir no Bairro era auscultar a ação de Deus nas pessoas e através delas.

O contacto com o Projecto “Nova Imagem de Paróquia” implementado pelo Movimento Por Um Mundo Melhor, trouxe muita luz e foi a metodologia que melhor respondeu ao que todos desejávamos – Transformar o nosso Bairro numa grande família feliz.

Um grupo do Bairro, envolvendo adultos e jovens, tentou estudar a realidade que éramos, os problemas e os dinamismos que possuíamos. Fez-se um plano. Organizou-se o Bairro por Zonas e todos, mesmos todos, foram convidados a participar, na medida em que quisessem e pudessem. Constituíram-se Equipas que assumiam toda a responsabilidade em cada Zona. Desse plano fazia parte toda a dimensão do Culto (louvor, petição, ação de graças e adoração a Deus, por nos amar como filhos e possibilitar que nós o amássemos) a Pastoral, a atenção a todos os problemas do Bairro e a solidariedade com outros Bairros, as dimensões Lúdica e Cultural.

Tudo estava de tal modo relacionado que quando uma criança frequentava a catequese ia descobrir quão importante era aprender a ler bem como a dar atenção e a respeitar a Pessoa de Idade que vivia a seu lado ou a Deficiente que encontrava ao sair da escola.

Se numa rua alguém estava a passar mal, na catequese ou na reunião da Equipa estudava-se a maneira de ajudar de forma bonita e, cada dia, uma vizinha aparecia a levar o almoço como quem leva o melhor presente que tem.

A Escola do Bairro foi reconstruída por todos para todos, mas muito temos a dever a um grupo de cristãos que se bateu até ao fim e deu a sua cara, a sua palavra, o seu trabalho. Vários estão ainda entre nós. Lembro dois senhores porque já descansam na paz de Deus: O Sr Roque e o Sr. António Ambrósio.

A densidade das Eucaristias dominicais do Bairro era algo significativo. Desde a preparação do local (ali havia baile, por vezes até às 2 h da madrugada) que às 10 h estava completamente limpo e dignamente preparado para a Celebração. Cada mês tinha este encargo uma das oito Equipas (10 incluindo as duas Equipas das Calvanas que foram uma ajuda providencial). As leituras, a animação litúrgica eram cuidadosamente preparadas e ajudavam ao encontro com o Deus da Novidade de cada dia.

A vida de trabalho, apesar de dura, muito dura, por vezes, era levada com mais leveza porque a dimensão cultural e lúdica tinham também muita força e encontravam-se englobadas em toda a nossa experiência. Tudo, até as contrariedades, nos ajudavam a crescer como mulheres, como homens, como filhos de Deus.

Apenas dois factos para não cansar e que podem ilustrar o que fica por dizer:

Após a Via-Sacra, no Salão, numa Semana Santa, uma Senhora que havia anos não se falava com outra, foi ter com ela e disse-lhe: — Não podemos ter feito, com verdade, esta oração e continuar sem nos dar os bons dias. Dê-me um abraço e desculpe-me tudo o que lhe fiz.— E abraçaram-se, recomeçando uma relação de Amizade.

Nalgumas Paróquias deixou de se celebrar a Missa do Galo à noite, porque havia receio. O nosso Pároco não celebrava no Lumiar, mas vinha celebrar a Missa da meia noite à Musgueira Sul, todos os anos.

São uns laivos do muito que me foi dado viver e aprender com a minha querida População da Musgueira Sul. O mais importante fica por dizer: os exemplos maravilhosos de humanidade e fraternidade que se sucederam durante tantos anos! A força inovadora daquela Juventude!… Falhas havia muitas, mas incomparavelmente maior era a grandeza de coração daquele GRANDE POVO do qual me orgulho de me terem permitido fazer parte.” Ir Pilar Moreira

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Musgueira Sul – Rostos da minha Terra

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Musgueira Sul – Rostos da minha Terra

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foto de Joaquim teixeira

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